A canção do rap

15/12/2011

A homenagem de Chico Buarque ao rapper Criolo retoma o antigo diálogo entre o cantofalado e a MPB

Quem disse que a canção acabou? Após especulações sobre o seu fim, o gênero musical voltou a ser manchete. Na estreia da turnê de Chico Buarque em Belo Horizonte (MG), no começo de novembro, o compositor surpreendeu ao cantar em ritmo de rap uma resposta ao rapper Criolo:

“Era como se o camarada dissesse: ‘Bem-vindo ao clube, Chicão, bem-vindo ao clube’. Valeu, Criolo Doido! Evoé, jovem artista. Palmas pro refrão do rapper paulista.”

Um dos artistas mais cultuados da MPB, Chico retribuía a homenagem que lhe fizera Criolo, músico-revelação que, embora associado ao rap, deve seu sucesso ao talento com que dialoga com estilos como o jazz, o afrobeat e a MPB. Autor do hit Não Existe Amor em SP, do álbum “Nó na Orelha”, o rapper paulista venceu três categorias do VMB 2011 (prêmio da MTV Brasil), alternando o característico “cantofalado” do gênero com passagens mais melódicas e refrões “assobiáveis’.

“Pai, afasta de mim a biqueira,
afasta de mim as ‘biate’,
afasta de mim a ‘cocaine’,
pois na quebrada escorre sangue.”

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Snoopy escritor

28/11/2011
O poder de síntese da persona literária do Snoopy nunca falha…  (Leia também “As dúvidas de Charlie Brown”).

O jovem Pound

24/11/2011

Resenha do livro Lustra, recém lançado em português, publicada na revista Metáfora n. 2

Por Edgard Murano

Ezra Pound (1885-1972) foi o que se pode chamar de gênio literário acima do bem e do mal. Apesar de suas preferências políticas algo duvidosas, que, diga-se de passagem, lhe renderam muitos dissabores, a militância poundiana pela causa da poesia é o que realmente importa –, legado esse que está longe de ser esgotado pela literatura. Prova disso é o lançamento de uma edição bilíngue de Lustra (Annablume Editora, Selo Demônio Negro), livro da fase “jovem” do poeta, mais conhecido pelos textos críticos e pela obra-prima The Cantos, já vertida para o português por José Lino Grünewald.

Para Dirceu Villa, responsável pela tradução do inglês para o português, Lustra é um livro “definidor na carreira de um dos maiores poetas do século 20”. Isso se deve ao fato de a obra condensar e adiantar várias ideias de tradução, além de técnicas poéticas que marcariam a poesia poundiana, como a imitação e as personae [personalidades].  Leia o resto deste post »

As engrenagens literárias

24/11/2011

Obra do crítico James Wood mostra que há muito a ser dito sobre a mecânica dos clássicos

O ensino da técnica narrativa cai com facilidade nas fórmulas prontas e em análises superficiais de obras consagradas. Da técnica descontextualizada à pura receita (não raro com tons de autoajuda), poucos nesse segmento são capazes de fundir essas duas instâncias no ensino da arte de escrever, e ainda assim manter com dignidade um papel renovado para a tradição crítica da melhor estirpe. O crítico inglês James Wood, no entanto, acerta a mão em Como Funciona a Ficção (Cosac Naify, 2011), lançado no Brasil com tradução de Denise Bottmann.

Editor da revista The New Yorker, Wood busca no livro a compreensão da narrativa em seus sinais de vida pulsantes, e discute os clássicos sem, contudo, reverenciá-los. Torna acessíveis teorias herméticas. Afasta-se das leituras ideológicas. Aproxima-se, enfim, de uma visão sensorial do fazer literário, sem didatismos nem jargões acadêmicos que podem colocar a perder o que realmente interessa: a delícia de uma boa ficção e um balanço informado sobre o “como escrever”.  Leia o resto deste post »

Aos pés da poesia

27/10/2011

Em Tripé do Tripúdio, Glauco Mattoso retoma os próprios sonetos como ponto de partida para seus contos

Há autores que dialogam com o mundo em que vivem. Outros, por sua vez, com a geração à qual pertencem. Há ainda aquele tipo de escritor que dialoga consigo mesmo, compondo profundos monólogos metalinguísticos, dos quais sobressaem certas obsessões que, somadas, como diria Nelson Rodrigues (outro grande obcecado), remetem ao próprio homem. É nessa linhagem de grandes autores que perseguem determinados temas, sempre caros à própria personalidade, que se insere Glauco Mattoso, um dos maiores poetas vivos da literatura brasileira ao lado de Manoel de Barros. Sua obra mais recente, Tripé do Tripúdio (Tordesilhas, R$ 42,50), confirma sua poética extravagante e fescenina, na qual retoma a fixação por pés, entre outras taras.

Ainda que certos temas vão e venham ao longo de seus mais de 40 livros publicados, na obra em questão a metalinguagem é tão explícita quanto o gozo que o autor extrai de objetos vis e próximos do chão, como sapatos, sandálias e outros calçados. A menção a sonetos anteriores, na qual se apoiam seus contos, é literalmente parte do tripé no qual se apoia sua poética, que dialoga o tempo todo consigo mesma e funciona como autocrítica, iluminando aspectos de seu método de composição, ora como making of de textos passados, ora como notas de rodapé. São histórias autobiográficas, fortemente marcadas pelo desejo homoerótico, quase todas iniciadas por referências a sonetos da lavra do autor, que lhe vieram “à cabeça por ocasião de”… (e aí começa a história propriamente dita). A edição de luxo preparada pela Tordesilhas, com capa dura e sobrecapa, está à altura de um autor que, apesar de transitar entre temas “baixos”, figura entre as mais altas obras escritas na língua de Camões.

A retórica do vendedor

12/10/2011

O que pensam os clientes? O que caracteriza o discurso de um bom vendedor? Como entender a linguagem dos negócios? Quais são as técnicas consagradas na arte da negociação? Essas e muitas outras questões encontram-se no especial Vendas, da revista Língua Portuguesa  Leia o resto deste post »

“Canta, ó Musa…” (trecho)

07/09/2011

A renúncia de Rimbaud

27/08/2011


O mito de Arthur Rimbaud, o enfant terrible da literatura, continua assombrando admiradores com sua renúncia às letras 

O termo Wunderkind (palavra alemã para “criança prodígio”) parece ter nascido apenas para designar o jovem poeta que foi, para muitos, o grande renovador da poesia francesa. Rimbaud, artista rebelde e iconoclasta, lançou as bases do modernismo com uma poética sinestésica e sensorial. Dono de versos feéricos – que deixavam para trás a dicção romântica e sentimental de seus antecessores (e tudo isso antes dos 20 anos!) – o jovem demônio de olhos claros, como o chamou Paul Verlaine, chocou a França do século 19 ao manter com este uma relação escandalosa para os padrões da época (sexo, ópio & poesia, equivalente ao sexo, drogas & rock ‘n’ roll do século 20). Terminou sua vida errando pelo mundo – Etiópia, Chipre – trabalhando como capataz em construções, anônimo, vivendo com amantes nativas e renegando sua juventude pregressa.

*

Tinha 42 anos quando morreu, mas deixara de escrever aos 20. Seu último livro, Iluminações, foi recentemente traduzido para o inglês pelo poeta norte-americano John Ashbery. É de Daniel Mendelsohn, da New Yorker, o artigo Rebel, Rebel, excelente introdução à vida & obra de Rimbaud, texto em que discute o mito da renúncia às letras e o caráter revolucionário da poesia rimbaudiana.

*

A figura mítica do poeta, inclusive, mereceu homenagem do inglês W. H. Auden (“Rimbaud”, dezembro de 1938):

The nights, the railway-arches, the bad sky,
His horrible companions did not know it;
But in that child the rhetorician’s lie
Burst like a pipe: the cold had made a poet.

Drinks bought him by his weak and lyric friend
His five wits systematically deranged,
To all accostumed nonsense put an end;
Till he from lyre and weakness was estranged.

Verse was a special illness of the ear;
Integrity was not enough; that seemed
The hell of childhood: he must try again.

Now, galloping through Africa, he dreamed
Of a new self, a son, an engineer,
His truth acceptable to lying men.

Sobre a poesia lírica

14/08/2011

“É o tipo de poema que manifesta propriedades musicais, feito para ser lido ou falado, não cantado. São em geral breves, raramente excedendo uma página ou duas, e têm sobre eles um grau de intensidade emocional que explica o fato de terem sido escritos. Em seu ponto alto, representam os sombrios e, às vezes, efêmeros movimentos das ideias e sentimentos, e o fazem de forma clara e compreensível. Não apenas registram na linguagem aquilo que é mais fugidio em nossa experiência, mas nos convencem de sua importância, e até de sua verdade. De todos os gêneros literários, o lírico é o mais mutável. Seus temas estão enraizados na continuidade da subjetividade humana e desde a Antiguidade assumiram a conexão entre o privado e o universal. Não fosse verdade, não haveria por que lermos poemas do passado. Eles nos falam com um imediatismo que o tempo não foi capaz de rebaixar e dão a dimensão de nossa humanidade tão acurada e apaixonadamente como qualquer poema escrito hoje… Mas eu sinto que de alguma forma eu menti. A poesia nunca parece, pelo menos para mim, tão clara. Não que seja mentira o que eu disse, só é restrito demais”. (Mark Strand, no blog The Muse Daily)

Redação, gramática & outros vestibulares

04/08/2011

Os especiais Vestibular Enem e Redação 2012, da revista Língua Portuguesa, reúnem artigos e dicas de escrita e leitura

Se você está na fase de estudar para exames vestibulares e concursos, então esses guias foram feitos para você. Em particular o Vestibular Enem 2012, que reúne artigos e dicas de literatura e gramática tendo em vista os conhecimentos exigidos pelos principais vestibulares do país.

OK, você já passou no vestibular faz tempo e não se preocupa mais com isso. Tudo bem. Nesse caso, o especial Redação 2012 poderá lhe fornecer bons conteúdos relacionados à arte da escrita, para além das dicas e macetes específicos para redatores de primeira viagem preocupados em passar na prova. Artigos de professores tarimbados como Sírio Possenti e Chico Viana, entre outros especialistas na língua, colocam em perspectiva conceitos de escrita e leitura consagrados, contribuindo para a formação linguística e literária dos leitores.

Para mais informações, acesse o site Assine Segmento, da editora Segmento.


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